Devil May Cry 3 - Review

Devil May Cry 3: Dante’s Awakening é a continuação de Devil May Cry 2. Lançado em 2005 pela Capcom, com Hideaki Itsuno voltando como diretor, agora com controle total do projeto e com um objetivo claro: corrigir absolutamente tudo que Devil May Cry 2 errou e realinhar o que Devil May Cry deveria ser como franquia

Depois do desastre que foi DMC 2, a Capcom deu ao Itsuno a opção de seguir outro projeto ou tentar “consertar” a série. Ele escolheu a segunda opção e deixou claro que, se fosse para fazer Devil May Cry, seria do jeito certo. O resultado é uma das maiores revitalizações de franquia da história dos videogames.

DMC 3 se passa antes dos eventos do primeiro jogo e acompanha um Dante mais jovem, e bem mais arrogante que a versão dele do segundo e do primeiro jogo. O jogo é uma prequel e destaca bastante a relação de Dante com o seu irmão Vergil, personagem esse que tinha aparecido em DMC 1 só que em um ponto futuro da história onde estava corrompido. A história gira em torno da relação dos dois, do legado do Sparda, seu pai, e das escolhas que definem quem Dante vai se tornar.

Diferente do segundo jogo, a narrativa aqui é muito mais pessoal, o jogo inteiro roda em volta de Dante como personagem imaturo. As cutscenes são exageradas e memoráveis, com cenas que se tornaram icônicas para a franquia. Lady, outro destaque do elenco, adiciona uma perspectiva humana ao conflito demoníaco e ajuda Dante a se compreender como pessoa. Todos os personagens têm propósito, presença e carisma, diferente da Lucia no jogo anterior.

No gameplay, Devil May Cry 3 é simplesmente brilhante e uma evolução dos sistemas de DMC 1. Aqui fica evidente que a equipe entendeu perfeitamente o apelo do primeiro jogo e expandiu tudo. O sistema de combate é profundo e técnico, além de ser mais fácil de compreender do que DMC 1. O jogo introduz os estilos de combate (Trickster, Swordmaster, Gunslinger e Royal Guard) permitindo que o jogador molde Dante de acordo com seu estilo de jogo, algo que virou pilar da franquia. Infelizmente esse sistema de estilos é muito melhor aproveitado no port do Switch, especificamente pois você pode mudar o estilo durante a gameplay, nas versões anteriores você só pode mudar o estilo no início de uma missão ou em uma loja que, normalmente, aparecem antes de um boss. De início eu achei o estilo Trickster o mais legal, pois ele libera um dash que deixa o combate muito mais dinâmico na questão de movimentação, até eu chegar na primeira batalha contra o Vergil e ter meu cu servido com farofa, depois de tamanho sarrafo eu mudei para Royal Guard, que libera um Parry extremamente difícil de executar, mas eu fui dominado por algum espírito e dei parry em todos os ataques dele e consegui ganhar dele de primeira sem muito esforço, daí pra frente só usei Royal Guard e nem cheguei a testar os outros estilos.

O jogo é difícil,mas não é injusto. DMC 3 exige que você aprenda, melhore e domine seus sistemas. Diferente de DMC 2, armas de fogo aqui são ferramentas para manter o combo andando, não a solução para tudo. O combate do jogo recompensa precisão milimétrica em batalhas com inimigos com segredos, é algo que de início pode te deixar meio irado mas no fim acaba só sendo um grande incentivo para você melhorar.

Os bosses dessa vez são todos um show à parte, enquanto DMC 1 tinha um boss excelente e outros legais, e DMC 2 não tinha um boss bom, DMC 3 traz um elenco de chefes divertidos e legais de se lutar, fazendo com que a parte final que é um boss rush não seja chata. As lutas contra Vergil em especial são o ápice da técnica do jogo, funcionando como duelos de habilidade pura, onde o jogo testa tudo que você aprendeu e até te ensina algumas lições.

Visualmente, Devil May Cry 3 dá um salto enorme em direção de arte. Os cenários são variados e extremamente bem feitos, além de terem personalidade. Mesmo limitado pelo hardware da época, o jogo compensa com estilo, enquadramentos e animações maravilhosas.

A trilha sonora acompanha perfeitamente o tom do jogo, misturando rock, metal e faixas atmosféricas que intensificam tanto o combate quanto os momentos narrativos. Tudo trabalha junto para criar uma identidade forte e marcante.

Devil May Cry 3 não apenas salva a franquia, como estabelece a base definitiva do que Devil May Cry e Hack n’ Slash é até hoje, tanto que o Itsuno retorna para trabalhar na franquia. É um jogo feito com propósito, visão criativa e respeito ao que veio antes. Itsuno prova aqui que DMC 2 não mostrava o que ele realmente podia fazer como diretor e entrega um título que entende seu antecessor, aprende com os erros e se transforma em algo maior. Eu joguei especificamente a versão Special Edition que facilita o jogo um pouco, mas também adiciona um polimento extra que não existia no original.

No geral, Devil May Cry 3 é um jogo excelente, com gameplay profunda, personagens muito legais, chefes memoráveis e uma identidade absurda. E por mais que eu prefira o visual e a atmosfera do primeiro jogo, é justo dizer que esse é o verdadeiro coração da franquia e um dos melhores jogos de ação já feitos. Diferente de DMC 2, esse é um jogo que merece ser jogado.